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Posso perguntar?



Eu lembro da minha primeira aula de metodologia científica da faculdade. O professor ensinou que boa ciência permite a dúvida e ensinou que não existe cientista neutro. “Se você não pode fazer perguntas, não é boa ciência” ele disse. O produto da pesquisa é fortalecido pela dúvida é não enfraquecido.


Todas as pessoas que já passaram por uma banca de mestrado e/ou doutorado sabem o que é ser sabatinado por horas a fio sobre os resultados de sua pesquisa. Uma das minhas bancas durou mais de 4 horas. Perguntas específicas, para as quais eu deveria ter respostas claras. A banca debatia entre si e devolvia a pergunta para mim. Eu não podia ficar ofendida com as perguntas e sair da sala magoadinha. Não adiantava eu achar que era complô da mesa contra mim. Pelo contrário. Eram essas perguntas que faziam melhorar a qualidade do meu trabalho e a deixar meu trabalho pronto para publicação. Mesmo depois de publicado, todo trabalho fica aberto ao público e qualquer pessoa pode questionar ou debater os resultados. Pode inclusive escrever um trabalho que destrua todos os argumentos defendidos da pesquisa. Pois então! Isso é ciência boa! Onde as perguntas fazem parte do processo de gestão da qualidade do método.

Quando foi que fazer perguntas aos cientistas virou negacionismo? Quando questionar os resultados de um experimento científico virou um ato político? Tudo bem que o fazer ciência traz implícito um posicionamento político e ideológico. Mas não é sempre isso! As vezes. é só dúvida mesmo. Nem sempre quando faço perguntas estou escondendo intenções ideológicas. As vezes, eu só quero entender mesmo. Só quero ter certeza que entendi direito e que minhas decisões estão pautadas em ciência da melhor qualidade.


Entã, deixa eu te fazer só uma perguntinha….

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